Sábado, Outubro 15, 2011

OE 2012

As medidas agora anunciadas, revelam um problema grave da nossa classe dirigente actual: a falta de rumo e de visão a médio e longo prazo!

A tomada sucessiva de medidas com efeitos altamente recessivos, não vai ajudar Portugal a sair da crise em que se encontra, pelo contrário, vai agravar a já precária situação económico-financeira.

Se por esta altura, já existem sinais das próprias instituições e mercados internacionais, que os cortes sucessivos e o agravamento de impostos e consequentemente, do nivel de vida da população portuguesa, não é o caminho para a saída da crise (vide a evolução dos juros da divida soberana portuguesa após o anuncio destas medidas), parece que apenas quem está no governo é que não se apercebeu da inutilidade e consequência destas medidas.

A visão do actual modelo de governação em Portugal, virou-se apenas e exclusivamente para a predominância das medidas económicas, deixando para outro plano as medidas que eventualmente são bem mais fundamentais para o país.

Um país que vive num estado de emergência, as injustiças que resultam quer da tomada de medidas com prevalência do carácter economicista, quer de desigualdades que resultam de anos de medidas avulsas, insensatas, imorais e sem qualquer cuidado do ponto de vista do decisor público, abrem caminho para que a população em geral ponha em causa a necessidade de um estado como o conhecemos. E se agora ainda estamos apenas no plano do anuncio, daqui a poucos meses a grande maioria da população estará confrontada com a dura realidade da diminuição da sua qualidade de vida. Se a este cenário juntarmos a verdadeira verborreia de notícias que nos mostram a total disparidade de distribuição da riqueza e por oposição dos sacrifícios, em Portugal, estamos perante uma realidade que nos levanta muita inquietude nos tempos mais próximos, uma realidade que não se deveria repetir tão cedo em Portugal, tendo em conta o mundo onde vivemos.

Assim sendo pergunto: não seria altura de equacionar o exemplo da Islândia, sob pena de daqui a poucos meses, estarmos a viver num país em plena revolução?

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