sábado, dezembro 30, 2006

A morte de Saddam Hussein

A execução de Saddam Hussein, é um exemplo mordaz da ironia do nosso mundo.
Tenho de ser sincero, e dizer que não lamento o desaparecimento de um ditador, de um homem que esteve na origem da morte de muitas milhares de mortes de pessoas inocentes. No entanto por princípio moral, sou contra a pena capital, que considero uma reminiscência de um passado civilizacional violento.
Desde o inicio do julgamento (se é que se pode chamar assim), que se sabia o destino que aguardava o antigo líder do Iraque. O destino do velho ditador há muito que fora traçado no outro lado do mundo, pelo vencedor da guerra. Ironicamente, foi esse mesmo país que ajudou a elevar Saddam ao seu estatuto de todo poderoso no Iraque, numa altura em que os EUA, necessitavam de um aliado para combater o Irão, que caíra nas mãos dos fundamentalistas islâmicos (potenciais parceiros da então URSS), depois da queda do xá Reza Pahlavi.
Ironicamente, Saddam foi enviado para a morte por quem o criou, e lhe deu suporte enquanto tinha necessidade dele. Quando o aliado se emancipou e deixou de servir os interesses passou a inimigo. Não estou a atenuar a culpa do ditador, mas de facto é uma lição da História que mais uma vez se repete…e muito provavelmente não pela ultima vez.
A hipocrisia latente neste dia é lamentável, e os responsáveis políticos que hoje fazem declarações de júbilo, perderam uma óptima oportunidade de estarem calados, e reflectirem sobre o seu papel nesta triste novela. Irónico, não?

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Gerald Ford

A morte do presidente norte-americano Gerald Ford, poderia não passar de mais um evento infeliz, não fosse o enquadramento político-social muito peculiar da nação americana.
Num pais de grandes diversidades sociais, étnicas e religiosas, e no qual nunca existiu monarquia, um dos grandes feitos do “sistema” foi conseguir uma homogeneidade aparente, num mundo que é uma verdadeira manta de retalhos.
E tal foi conseguido através de um verdadeiro endeusamento da figura do presidente e da sua figura e autoridade. A critica à figura do presidente não é bem tolerada, o que tendo em conta que estamos perante um sistema politico presidencial, em que este detém o poder executivo, ao contrário dos sistemas semi-presidencialistas como o nosso, têm um efeito nefasto na liberdade de expressão e no fundo na democracia.
Longe de mim afirmar que os EUA não são uma democracia…pelo contrário. Mas o excesso de conservadorismo e o politicamente correcto, é contraproducente e perigoso.
O exercício de oposição politica é muitas vezes apelidado de ataque ao sistema, e o sistema confunde-se com quem está no poder. Cargo e titular são um no mesmo. Não há diferença!
Talvez se existissem mais uns partidos na “paisagem” politica americana…

domingo, novembro 26, 2006

quinta-feira, agosto 03, 2006

Amor obsessivo

Amor obsessivo
Sórdido
Sem ternura
Que te desune da realidade

Sentimento suicida
Que te mata o ser
Esvazia-te a alma
Louco!

Olhar distante
Pensamento despojado
Opaco como o gelo
Nada sentes, nada mostras.

Autor: Pedro Cristóvão

quinta-feira, julho 20, 2006

A crise...da ONU

As consecutivas crises no médio oriente, nas quais a actual crise entre Israel e o Líbano, nada mais é que um novo capitulo, são motivo de preocupação constante. De facto a relação entre Israel e os seus vizinhos é tudo menos pacífica, e a sempre ténue paz, é muito facilmente interrompida por qualquer movimento terrorista, disposto a chamar a si a atenção e os “louros” do combate ao inimigo judeu.
Israel por seu lado, mantêm uma politica de retaliação imediata e incondicional, uma vez que é a única forma de um pais rodeado de inimigos mortais conseguir sobreviver.
No entanto o que mais me preocupa em toda esta crise é o papel precário e banal a que se reduziram as Nações Unidas. De facto a ONU é cada vez menos levadas a sério, e caiu num total descrédito. Os próprios países que a compõem, nomeadamente os membros do conselho permanente, estabelecem total primazia para as suas diplomacias internas actuarem, sendo que as deliberações da Assembleia-geral são cada vez mais olhadas como…o que elas são: declarações de intenções.
Os EUA com uma administração tão isolada do mundo exterior como as administrações americanas do início do século XX, tem restringido e minimizado o papel da ONU na discussão e resolução dos conflitos pelo mundo fora.
A União Europeia por seu lado debate-se com um conflito de interesses entre os seus estados mais poderosos, que preferem actuar por sua conta em vez de actuarem no âmbito da própria politica externa comum da União.

quarta-feira, maio 24, 2006

O estágio da selecção

A euforia que se vive com a selecção, motiva-me uma vez mais, a uma breve reflexão sobre o comportamento das massas.
Com eborense, muito me alegra que a minha cidade esteja na “ribalta”, se bem que preferia uma cimeira europeia, ou um evento do género Expo.
Mas, não posso menosprezar os efeitos positivos para a economia local: hotéis lotados, restaurantes cheios, um novo estádio, com adjudicação de contratos a empresas locais…
Este ultimo não pode passar sem uma nota: os fundos para o futebol parecem aparecer sempre do nada, e sem que se questione a motivação e a racionalidade económica da aplicação do mesmo. O estádio para onde foi a selecção nacional foi construído em alguns meses, e é uma obra prevista à vários anos, como nova estrutura para o Lusitano de Évora, equipa da terceira divisão. Até agora nunca se realizou, mas como a selecção nacional veio cá durante uma semana…
A febre dos estádios, herdada da euforia do Euro 2005, veio para ficar. Continua a ser o estado português, ou seja, nós (os que pagam impostos), a pagar por esta visão de alguns megalómanos no futebol. Como se isto contribuísse de forma desmesurada para o crescimento da economia nacional! Dá que pensar…

terça-feira, maio 23, 2006

Windows Server "Longhorn"

Já está disponivel a Beta do Windows Server "Longhorn".
O esperado sistema operativo para servidores já pode ser analisado pelos muitos curiosos.

quinta-feira, abril 27, 2006

Do cravo

O mais recente "incidente noticioso", aconteceu nas cerimónias do 25 de Abril, na Assembleia da República. O Presidente Cavaco Silva não usou um cravo na lapela!
Ultrapassando a questão da relevância do caso, esta situação denota entre outras coisas e acima de tudo uma clivagem de gerações, bem visível entre as manifestações da avenida da liberdade e os milhares de portugueses que todos os anos aproveitam este feriado para umas mini férias.
Existe um clã de políticos portugueses que se arroga a “propriedade” do 25 de Abril, como se tal fosse verdade, e que exibe pomposa e orgulhosamente o cravo, como de uma certidão de teor se tratasse.
Os anos passaram, e Portugal e o Mundo mudaram! Apenas estes senhores é que se recusam a ver essa mudança. O país está em crise, e os ideais de Abril parecem uma utopia demagógica, e as novas gerações têm problemas bem mais pragmáticos para resolver.
Não me interpretem mal, o 25 de Abril teve o mérito de ser o passo para a democracia em Portugal, e abrir caminho para novas liberdades que todo o cidadão deve ter.
Mas não devemos é confundir o reconhecimento histórico com o saudosismo febril.
De facto, a esquerda que usa o cravo, está cada vez mais "orgulhosamente só"!

sexta-feira, abril 14, 2006

Uma Santa Páscoa para todos.

Vénus


A mais recente sonda da ESA (Agência Espacial Europeia), provou duas coisas:
Que os europeus são igualmente capazes como os americanos, os russos ou os japoneses em matéria de exploração espacial;
Que ainda temos muito para aprender sobre o nosso "pequeno" sistema solar.
A foto mostra a mais recente foto do polo sul do planeta Vénus.

sábado, fevereiro 04, 2006

O caso dos "cartoons"

Os recentes acontecimentos que rodeiam a publicação de alguns “cartoons” em jornais Dinamarqueses, que satirizam o mundo árabe e a sua religião, tem levantado ondas de protestos em muitas comunidades islâmicas.
Pessoalmente defendo que a liberdade é um direito essencial e fundamental, inalienável a qualquer ser humano, mas também é verdade que a mesma deve ser exercida sem violar as sensibilidades, crenças e direitos dos demais.
No entanto este é um caso que ultrapassa a mera fronteira do conflito de direitos!
Trata-se de uma situação que demonstra bem a diferença de valores, e o perigo que enfrentam as próprias democracias, se não se impuser alguns limites ao exercício das liberdades.
Não sou a favor da ofensa às sensibilidades de outros povos, muito menos às suas mais intimas convicções, mas a atitude subsequente à publicação dos ditos “cartoons” mostra bem a diferença de mentalidades.
As manifestações contra os “cartoons” que ocorreram em países ocidentais, só tiveram lugar porque nesses mesmos países, existe o direito de expressão. São os mesmos valores que permitiram a publicação das malfadadas caricaturas, que permitem essas comunidades virem para a rua manifestar o seu desagrado. Então estas manifestam-se ao abrigo de um principio basilar da democracia contra um acto que foi praticado ao abrigo desse mesmo principio.
Uma reacção destas no mundo árabe contra o acto atentatório da “dignidade religiosa” de outra qualquer crença seria impensável, não só pela ausência do direito à livre expressão, como pela ausência de igual tratamento entre todas as crenças.
É de facto um acontecimento ilustrativo dos perigos que ameaçam as democracias…as suas maiores virtudes podem também ser os seus maiores perigos!

terça-feira, janeiro 31, 2006

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Neve

É assim que te quero, amor

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda