A grande voracidade dos “media” sobre qualquer assunto, incluindo os de temática politica, têm posto em relevo um facto preocupante; o grande entusiasmo pelos debates televisivos entre os candidatos, foi substituído pelo tédio e a cada vez menor atenção que são objecto.
Sejamos realistas! O cargo de presidente da republica não é nenhum cargo executivo, e os seus poderes, por muito que se queira, são muito limitados, não lhe cabendo nenhuma iniciativa com nome disso.
Ficamos pois muito limitados ao que seriamente interessa ao exercício dos poderes do Presidente da Republica.
Tal não impede que determinados candidatos, insistam continuamente no debate de assuntos que nada têm haver com o cargo em causa. São os candidatos penetra. Eles têm noção que não têm qualquer hipótese de eleição, mas para eles este acto eleitoral representa tempo de antena e dinheiro (se chegarem aos 5% de votos). Não são para levar a sério.
Restam portanto três candidatos ao cargo.
Manuel Alegre foi inicialmente, confesso, uma personagem entusiasmante que rompeu com o fastio da encenação politica das eleições à presidência da república. Teve o vigor e a tenacidade para lutar contra um aparelho de um partido, aparelho esse muito poderoso e incisivo na luta a quem se lhe opõe. Mas o tempo demonstrou pouca habilidade política ao poeta (veja-se o debate com Soares), e um grande desconhecimento dos grandes temas nacionais.
Mário Soares, é o que poderíamos chamar uma “raposa velha”.
O seu inicio de candidatura foi tudo menos brilhante, e revelou do verdadeiramente a politica é feita: confusão, falsidade, traição e falta de escrúpulo.
O homem que há um ano atrás insultava quem lhe perguntasse se alguma vez voltaria a exercer um cargo político, foi o mesmo que com a maior das naturalidades anunciou que era de novo candidato.
A grande decepção ao olhar para esta candidatura é interrogar-me se de facto não existe no PS ninguém com idade compreendida entre os 30 e os 80 anos, com perfil para candidato. O que terá acontecido às gerações posteriores a Soares?
Cavaco Silva, é de facto o candidato com vantagem à partida, mas também padece de alguns contratempos, nomeadamente a sua personalidade.
É um homem frio, pouco emocional e bastante calculista. Não que sejam defeitos, mas numa candidatura a um cargo destes, o assunto com conteúdo esgota-se depressa, pelo que depressa se passa às veleidades que não integram o discurso deste candidato, e acreditem, o eleitorado (esse temperamental) cansa-se depressa.