sexta-feira, dezembro 23, 2005

Um Santo Natal


S. Francisco de Assis e Santa Clara
Adorando o Menino Jesus
1647

A todos os familiares, amigos e leitores, os votos de um Santo Natal, e muitas felicidades.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!

Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:

Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!

Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.

Bocage

Averróis



Médico e filósofo hispano-árabe. Membro de uma família de juristas, estuda Medicina e Filosofia. Averróis é um aristotelista puro. Pela qualidade e pela amplitude da sua actividade como comentarista de Aristóteles é conhecido como «o Comentador». Escreveu diversas obras polémicas e médicas, mas são os seus comentários os que exercem uma influência decisiva no Ocidente para a adopção do aristotelismo.
Os averroístas aceitam, com Aristóteles, a concepção de Deus como motor imóvel que move eternamente um mundo eternamente existente não feito nem conhecido por ele. Esta tese da eternidade do mundo choca com as concepções cristãs. Postulam que a alma individual do homem é perecedoura e corruptível; isto é, não é imortal. Finalmente, os averroístas defendem a teoria da dupla verdade: a teológica ou da fé e a filosófica ou da razão. Portanto, é verdade, de acordo com a fé, que a alma é imortal e o mundo é criado; mas também é verdade, de acordo com a razão, que a alma é corruptível e o mundo é eterno. Esta defesa desesperada da autonomia da razão perante a fé.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Para ti...

Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão Ferreira

segunda-feira, dezembro 19, 2005

As eleições presidenciais

A grande voracidade dos “media” sobre qualquer assunto, incluindo os de temática politica, têm posto em relevo um facto preocupante; o grande entusiasmo pelos debates televisivos entre os candidatos, foi substituído pelo tédio e a cada vez menor atenção que são objecto.
Sejamos realistas! O cargo de presidente da republica não é nenhum cargo executivo, e os seus poderes, por muito que se queira, são muito limitados, não lhe cabendo nenhuma iniciativa com nome disso.
Ficamos pois muito limitados ao que seriamente interessa ao exercício dos poderes do Presidente da Republica.
Tal não impede que determinados candidatos, insistam continuamente no debate de assuntos que nada têm haver com o cargo em causa. São os candidatos penetra. Eles têm noção que não têm qualquer hipótese de eleição, mas para eles este acto eleitoral representa tempo de antena e dinheiro (se chegarem aos 5% de votos). Não são para levar a sério.
Restam portanto três candidatos ao cargo.
Manuel Alegre foi inicialmente, confesso, uma personagem entusiasmante que rompeu com o fastio da encenação politica das eleições à presidência da república. Teve o vigor e a tenacidade para lutar contra um aparelho de um partido, aparelho esse muito poderoso e incisivo na luta a quem se lhe opõe. Mas o tempo demonstrou pouca habilidade política ao poeta (veja-se o debate com Soares), e um grande desconhecimento dos grandes temas nacionais.
Mário Soares, é o que poderíamos chamar uma “raposa velha”.
O seu inicio de candidatura foi tudo menos brilhante, e revelou do verdadeiramente a politica é feita: confusão, falsidade, traição e falta de escrúpulo.
O homem que há um ano atrás insultava quem lhe perguntasse se alguma vez voltaria a exercer um cargo político, foi o mesmo que com a maior das naturalidades anunciou que era de novo candidato.
A grande decepção ao olhar para esta candidatura é interrogar-me se de facto não existe no PS ninguém com idade compreendida entre os 30 e os 80 anos, com perfil para candidato. O que terá acontecido às gerações posteriores a Soares?
Cavaco Silva, é de facto o candidato com vantagem à partida, mas também padece de alguns contratempos, nomeadamente a sua personalidade.
É um homem frio, pouco emocional e bastante calculista. Não que sejam defeitos, mas numa candidatura a um cargo destes, o assunto com conteúdo esgota-se depressa, pelo que depressa se passa às veleidades que não integram o discurso deste candidato, e acreditem, o eleitorado (esse temperamental) cansa-se depressa.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Pôr do sol sobre Évora


No acaso de mais um fim de semana, uma imagem inspiradora.

quinta-feira, outubro 27, 2005

A variedade humana

A revista Nature noticia na sua mais recente edição, que uma equipa de cientistas internacional, registou milhões de variações de ADN, num esforço de registar na totalidade a diversidade de genes humanos.
Sabendo que 99,9% da sequência de ADN é idêntica entre todos os seres humanos, esta equipa está a tentar inventariar os 0,1% que são diferentes, e que têm como consequência a incrível variedade humana, que vai desde a diferença da cor dos olhos até à susceptibilidade de contrair uma doença.
De facto trata-se de uma tarefa hercúlea, mas ao mesmo tempo fantástica. O ADN é de facto a nossa essência, a nossa alma (em sentido lacto e sem interpretações metafísicas), e o facto de termos evoluído até podermos saber exactamente de que somos feitos (de “poeiras de estrelas”, segundo Hubert Reeves), é um apogeu de uma espécie peculiar que tanto alcança façanhas extraordinárias, como pratica actos atrozes.
Mas se o leitor é um homo sapiens, não fique muito orgulhoso. O ADN de um ser humano é muito semelhante ao de um chimpanzé, pelo que não atingimos o que somos nos dias que correm, só pela nossa composição molecular.
Algo mais nos move, algo que faz com nem todos sejamos iguais, e que tenhamos diferentes gostos (nem toda a gente gosta de ler “As aventuras de Tin Tin” apesar de o que o André pensa…).
Se é a diferença na composição do nosso ADN ou algo mais, não sei, nem tenho posição sólida e conhecimentos científicos para responder, mas espero que o mapeamento da origem das nossas diferenças (e que muita utilidade terá), não leve ao desaparecimento de um factor que nos levou a ser o que somos hoje: a diversidade humana.

Esclareço apenas que sou um leigo nesta área científica, pelo que me perdoaram alguma imprecisão técnica.

Artigo publicado em observador.weblog.com.pt

quarta-feira, outubro 26, 2005

Citação

Reading is like the sex act-done privately, and often in bed.
Daniel J. Boorstin

Sócrates e as empresas

O primeiro-ministro José Sócrates afirmou hoje que não haveria nos próximos tempos qualquer tipo de desagravamento da carga fiscal para as empresas.
Como já vêm sendo hábito, a visão dos governos (principalmente de esquerda) para com o mundo empresarial é do mais demagógico e irracional possível. Os governos tendem a mostrar o tecido empresarial como um mundo de ricos e poderosos. Portanto é fácil fazer o papel de “Robin Hood” e dizer que não se deve aligeirar a carga fiscal das empresas, as empresas que paguem a crise e mais um rol de disparates que se costumam seguir.
O que o Governo não consegue alcançar é que são as empresas que criam a dinâmica económica que o pais tanto precisa, e que o minorar os encargos fiscais poderia criar um novo fôlego a muitas das empresas que estão em sérias dificuldades.
Os governos continuam a dirigir a economia do pais como uma economia doméstica, do tipo “tira aqui para pôr ali.” Enquanto assim continuar, as perspectivas de uma retoma económica continuaram muito longe.
Há que tomar medidas corajosas, mas também medidas de longo prazo. O que precisamos é de um governo que saiba aceitar uma redução imediata das receitas, mas que tenha consciência que essa diminuição pode ter consequências positivas a médio e longo prazo. O problema é que daqui a seis ou oito anos o partido no poder pode não ser o mesmo, e ninguém quer deixar louros por mãos alheias.

sexta-feira, outubro 21, 2005

A candidatura de Cavaco Silva

Cavaco Silva apresentou ontem a sua candidatura à Presidência da Republica.
Em tom firme, e num discurso simples e curto, ao contrário do longo e trivial discurso de Mário Soares, Cavaco Silva apresentou o âmago da sua candidatura, da sua ideia de ser Presidente da Republica e da sua visão para Portugal.
Trata-se de um homem com uma visão economicista e pragmática da sociedade portuguesa, que trás consigo a linha da política séria e austera (em claro confronto com estilo mais “desleixado” de alguns dos seus oponentes), e que de certa e irónica forma, coincide com o estilo do actual Primeiro-ministro José Sócrates.
Bem sabemos que o Presidente da Republica, no actual quadro constitucional, não tem (nem deve vir a ter, acrescentamos nós) poder para desencadear alterações significativas seja a que âmbito for, mas pode ser um elemento de controlo e censura do Governo e das suas principais opções.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Aurora Boreal


As cores vibrantes de uma aurora boreal sobre o norte da América, também conhecidas como “northern lights”.
As auroras formam-se quando o "vento solar" entra no campo magnético da terra, acelerando as partículas electricamente carregadas. As partículas colidem a alta velocidade na atmosfera superior da terra sobre as regiões polares, fazendo com que a atmosfera emita um fulgor fantasmagórico e multicolor.
Foto Nasa.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Da campanha presidencial do PS

A noticia de que o PS vedou o uso das suas instalações ou meios do partido, aos apoiantes da candidatura de Manuel Alegre, é mais um triste episódio, na cada vez mais trágica participação do partido socialista, nas eleições presidenciais marcadas para o inicio de 2006.
Se é legitimo da parte da estrutura do partido, e após ter escolhido um “candidato oficial”, decidir fazer campanha apenas e só por Mário Soares, o acto de fechar na totalidade a estrutura aos elementos da candidatura de Manuel Alegre, que mais não é que uma candidatura alternativa, é um acto de “ditadura” politica, de guerrilha inter partidária, num partido que faz bandeira dos seus “independentes”.
As eleições presidenciais assentam em figuras que se apresentam com ou sem o apoio dos partidos, mas não são nem devem ser eleições partidárias.
Como tal, não se percebe mais esta atitude, que além de desprestigiante para o PS e para o nosso sistema político, é no mínimo infeliz.

terça-feira, outubro 18, 2005

Feliz aniversário Maria Inês

Neste dia do teu quarto aniversário, desejo-te muitas felicidades, e faço votos para que continues a crescer num ambiente de amor e alegria que sempre tentarei proporcionar-te.
Do pai.

segunda-feira, outubro 17, 2005

O referendo no Iraque

Muitas noticias de destaque têm surgido nos últimos dias, o sismo na Ásia (praticamente esquecido pelos meios de comunicação em Portugal), a gripe das aves, e agora o orçamento de estado para 2006. No entanto parece que o referendo no Iraque têm passado completamente despercebido (com excepção das noticias sobre um ou outro atentado).
Pode-se concordar ou não com a intervenção dos EUA no Iraque, e defender ou não a maneira como este referendo foi "imposto" à população iraquiana, mas um facto é incontornável: a massiva adesão do povo do Iraque a este que é o seu primeiro acto no âmbito de uma "democracia".
A massiva adesão (63% segundo os mais recentes números), podem fazer corar de vergonha países como o nosso, que num ambiente de absoluta paz e tranquilidade, não consegue ultrapassar números deste em adesão a um acto eleitoral.
Este acto veio alterar a imagem de que o Iraque é um pais constituído por terroristas, e opositores à democracia. Pelo contrário! O que a população do Iraque provou, é que mesmo num clima de terror e insegurança, milhões de pessoas tiveram a coragem de ir para um fila numa qualquer assembleia de voto (o alvo potencial de um ataque terrorista) e esperar pela sua vez para poderem, também eles, tomar parte na decisão sobre seu futuro.

domingo, outubro 16, 2005

Igreja


Imagem nocturna da Igreja matriz da Vila de Santa Cruz, na Ilha Graciosa, nos Açores.

sábado, outubro 15, 2005