O mais recente "incidente noticioso", aconteceu nas cerimónias do 25 de Abril, na Assembleia da República. O Presidente Cavaco Silva não usou um cravo na lapela!
Ultrapassando a questão da relevância do caso, esta situação denota entre outras coisas e acima de tudo uma clivagem de gerações, bem visível entre as manifestações da avenida da liberdade e os milhares de portugueses que todos os anos aproveitam este feriado para umas mini férias.
Existe um clã de políticos portugueses que se arroga a “propriedade” do 25 de Abril, como se tal fosse verdade, e que exibe pomposa e orgulhosamente o cravo, como de uma certidão de teor se tratasse.
Os anos passaram, e Portugal e o Mundo mudaram! Apenas estes senhores é que se recusam a ver essa mudança. O país está em crise, e os ideais de Abril parecem uma utopia demagógica, e as novas gerações têm problemas bem mais pragmáticos para resolver.
Não me interpretem mal, o 25 de Abril teve o mérito de ser o passo para a democracia em Portugal, e abrir caminho para novas liberdades que todo o cidadão deve ter.
Mas não devemos é confundir o reconhecimento histórico com o saudosismo febril.
De facto, a esquerda que usa o cravo, está cada vez mais "orgulhosamente só"!
Quinta-feira, Abril 27, 2006
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