A revista Nature noticia na sua mais recente edição, que uma equipa de cientistas internacional, registou milhões de variações de ADN, num esforço de registar na totalidade a diversidade de genes humanos.
Sabendo que 99,9% da sequência de ADN é idêntica entre todos os seres humanos, esta equipa está a tentar inventariar os 0,1% que são diferentes, e que têm como consequência a incrível variedade humana, que vai desde a diferença da cor dos olhos até à susceptibilidade de contrair uma doença.
De facto trata-se de uma tarefa hercúlea, mas ao mesmo tempo fantástica. O ADN é de facto a nossa essência, a nossa alma (em sentido lacto e sem interpretações metafísicas), e o facto de termos evoluído até podermos saber exactamente de que somos feitos (de “poeiras de estrelas”, segundo Hubert Reeves), é um apogeu de uma espécie peculiar que tanto alcança façanhas extraordinárias, como pratica actos atrozes.
Mas se o leitor é um homo sapiens, não fique muito orgulhoso. O ADN de um ser humano é muito semelhante ao de um chimpanzé, pelo que não atingimos o que somos nos dias que correm, só pela nossa composição molecular.
Algo mais nos move, algo que faz com nem todos sejamos iguais, e que tenhamos diferentes gostos (nem toda a gente gosta de ler “As aventuras de Tin Tin” apesar de o que o André pensa…).
Se é a diferença na composição do nosso ADN ou algo mais, não sei, nem tenho posição sólida e conhecimentos científicos para responder, mas espero que o mapeamento da origem das nossas diferenças (e que muita utilidade terá), não leve ao desaparecimento de um factor que nos levou a ser o que somos hoje: a diversidade humana.
Esclareço apenas que sou um leigo nesta área científica, pelo que me perdoaram alguma imprecisão técnica.
Artigo publicado em observador.weblog.com.pt
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